O coordenador-geral da organização internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF), Matthias Cannes, descreveu nesta terça-feira a situação em Israel e Faixa de Gaza como horrível, dizendo existirem “números massivos de mortos” e muitos palestinos deslocados e com medo.
Matthias Cannes, cujas declarações foram gravadas pela organização de ajuda médica, explicou que os ataques em Gaza continuam a abalar o território, sublinhando que se conseguia mesmo ouvir o ruído dos bombardeamentos israelitas enquanto falava.
“Os nossos colegas palestinos trabalham dia e noite para fazer face ao afluxo de feridos”, afirmou, adiantando que muito do pessoal médico local está trabalhando sob dupla pressão.
Além do número crescente de vítimas para cuidar, “muitos dos nossos colegas palestinos abandonaram as suas casas com medo de que sejam atingidas. Alguns deles relataram a destruição total dos locais onde moravam”, contou o coordenador-geral da MSF.
A falta de segurança dos profissionais de saúde, dos hospitais e até de ambulâncias na região é, como sublinha a MSF em comunicado hoje divulgado, “um dos maiores desafios que a equipe médica enfrenta atualmente” em Gaza.
“As ambulâncias não podem ser usadas agora, porque estão sendo atingidas por ataques aéreos”, explicou o coordenador médico da MSF em Gaza, Darwin Diaz.
Pedindo a todos os lados do conflito que “respeitem a inviolabilidade das instalações, profissionais e veículos de saúde”, a organização internacional lembra que está preparando, desde domingo – dia seguinte ao início dos ataques – “doações de medicamentos e consumíveis” para hospitais e outros centros de saúde em Gaza.
“As instalações de saúde precisam destes equipamentos, devido ao elevado número de feridos”, defendeu o vice-coordenador da MSF em Gaza, Ayman Al-Djaroucha.
“Os hospitais estão superlotados com feridos, há uma escassez de medicamentos e de consumíveis, assim como falta combustível para os geradores”, descreveu.
Descrição reforçada pelo testemunho de Matthias Cannes, que contou ter tratado, só na segunda-feira, mais de 50 pessoas no hospital de Al-Awda, o maior da Faixa de Gaza.
“Após o atentado bombista de hoje [de segunda-feira] no campo de refugiados de Al-Jabalia, a nossa equipe tratou mais de 50 pessoas no hospital de Al-Awda”, disse.
De acordo com a MSF, as equipes com profissionais locais da organização estão realizando, desde sábado, cirurgias e cuidados ambulatórios no hospital de Al-Awda, na região norte do enclave, tendo sido aumentado o número de camas disponíveis “para dar resposta ao grande número de vítimas”.
O grupo islâmico Hamas lançou no sábado um ataque surpresa contra o território israelita, sob o nome de operação “Tempestade al-Aqsa”, com o lançamento de milhares de foguetes e a incursão de milicianos armados por terra, mar e ar.
Em resposta ao ataque surpresa, Israel bombardeou a partir do ar várias instalações do Hamas na Faixa de Gaza, numa operação denominada “Espadas de Ferro”.
Israel declarou guerra total e prometeu castigar o Hamas como nunca antes; a mobilização de 300 mil reservas israelitas aumentou a perspectiva de uma invasão terrestre ou mesmo de uma reocupação de Gaza. O exército israelita afirma que já matou centenas de militantes e bombardeou numerosos alvos do Hamas.
O mais recente balanço do Ministério da Saúde palestino registrava pelo menos 560 mortos devido aos ataques aéreos israelitas em Gaza – incluindo dezenas de menores e mulheres – , o que elevava para mais de 1.250 o total de mortes nos dois lados na sequência dos confrontos armados iniciados no sábado.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, declarou que Israel está “em guerra” com o Hamas.
Fonte: dn.pt
