Temperatura média da Terra bateu novo recorde acima dos 17 graus

Para o secretário-geral da ONU, António Guterres, os novos recordes globais de temperaturas mostram que "as alterações climáticas estão fora de controle".

A temperatura média da Terra bateu um novo recorde de calor na quinta-feira acima dos 17 graus Celsius, de acordo com dados do Climate Reanalyzer da Universidade do Maine, nos Estados Unidos.

A média de quinta-feira superou a marca de terça-feira de 17,18, que foi igualada na quarta-feira. Na segunda-feira a média registada tinha sido de 17,01, segundo registos não oficiais.

A Agência dos EUA para a Atmosfera e os Oceanos (NOAA, na sigla em Inglês) emitiu na quinta-feira uma nota de cautela sobre a informação divulgada pela Universidade do Maine, dizendo que não poderia confirmar os dados que resultam em parte de simulações de computador.

“Embora a NOAA não possa validar a metodologia ou a conclusão da análise da Universidade do Maine, reconhecemos que estamos num período quente devido às mudanças climáticas”, disse a NOAA.

Ainda assim, os dados do Maine têm sido amplamente considerados como um sinal preocupante da mudança climática em todo o mundo. Alguns cientistas do clima disseram esta semana que não ficaram surpresos com os registos não oficiais.

Robert Watson, cientista e ex-presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU, disse que os governos e o setor privado “não estão realmente comprometidos em lidar com as mudanças climáticas”.

Os cientistas alertam há meses que 2023 poderá registar recordes de calor à medida que as mudanças climáticas causadas pelo homem, impulsionadas em grande parte pela queima de combustíveis fósseis como carvão, gás natural e petróleo, aquecem a atmosfera.

Estas observações são provavelmente uma antecipação do que aí vem com o fenómeno designado El Niño – geralmente associado a um aumento das temperaturas à escala mundial -, complementado com os efeitos do aquecimento climático causado pela atividade humana.

Guterres diz que recordes de temperaturas mostram “alterações climáticas fora de controle”

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse na quinta-feira que a “situação que estamos a testemunhar é a demonstração de que as alterações climáticas estão fora de controlo”, ao comentar os novos recordes globais de temperaturas.

Numa conferência de imprensa na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, Guterres afirmou que se a humanidade “persistir em adiar as principais medidas necessárias” a nível climático, caminhará para “uma situação catastrófica, como demonstram os dois últimos recordes de temperatura”.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) advertiu que as temperaturas vão continuar a subir, após o passado mês de junho ter batido o recorde de mais quente da história.

“O aquecimento excecional em junho e no início de julho ocorreu quando começava a desenvolver-se o fenómeno de El Niño, que se prevê que aumente o calor tanto na Terra como nos oceanos e leve a temperaturas mais extremas e ondas de calor marítimas”, afirmou Chris Hewitt, diretor dos Serviços do Clima da OMM, o organismo científico das Nações Unidas.

Em junho passado registaram-se temperaturas 0,5 graus acima da média entre 1991 e 2020, superando o recorde de temperatura média mensal do mesmo mês em 2019, segundo dados do sistema europeu “Copernicus”.

Por outro lado, e de acordo com dados preliminares, na passada segunda-feira, 03 de julho, a temperatura média diária global alcançou os 16,88 graus Celsius, batendo o recorde anterior de 16,80 graus de agosto de 2016.

“Todo o oceano está mais quente”

Chris Hewitt afirmou “que se podem esperar mais recordes à medida que o El Niño avança e os seus impactos se estendam até 2024”, o que considerou ser “uma notícia preocupante para o planeta”.

A OMM assinalou que as comparações globais de temperaturas diárias só são possíveis através de reanálises (combinações de simulações de satélites e modelos informáticos), enquanto este organismo das Nações Unidas utiliza uma combinação de reanálises de um conjunto de dados baseados em observações a partir de estações montadas na superfície terrestre e em navios.

O cientista responsável pela OMM explicou que as temperaturas à superfície dos mares também bateram recordes em maio e junho e que este fenómeno terá consequências na distribuição dos peixes e na circulação oceânica em geral.

“Não se trata só da superfície. Todo o oceano está a ficar mais quente e a absorver energia que ali permanecerá por centenas de anos. Os alarmes estão a soar muito fortes devido às temperaturas sem precedentes no Atlântico norte”, alertou.

Segundo o mesmo perito, foram observadas recentemente ondas de calor no Atlântico, concretamente nas zonas do Reino Unido, Irlanda e Mar Báltico.

Fonte: dn.pt

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