Ruy Barbosa, Juscelino Kubitschek, Ulisses Guimarães, ACM, Íris Rezende e Siqueira Campos se foram. Quem os substituirá?

Esses ícones da história da política nacional, que tanto fizeram pelo Brasil e que foram responsáveis pela evolução e pelos avanços da política no país. Eles repousam em seus berços tumulares, tendo seus nomes reverenciados pela história que construíram com austeridade, altivez e dignidade.

Na história recente do Brasil, alguns nomes se tornaram icônicos; dentre eles, pelo menos seis imortalizaram-se nos anais da nação brasileira: Ruy Barbosa de Oliveira, Juscelino Kubitschek de Oliveira, Ulisses Guimarães, Antônio Carlos Magalhães, Íris Rezende Machado e José Wilson Siqueira Campos, que, na última terça-feira, 4, partiu para a eternidade, com 94 anos, 11 meses e 4 dias. Ele era o último remanescente – o derradeiro exemplar – dessa safra de grandes homens públicos das gerações que nasceram antes da metade do século XX.

É notório que o Brasil ainda tenha um considerável número de grandes políticos, mas cabe perguntar: Existiria algum com inteligência política, generosidade, altruísmo, abnegação, espírito de homem público, fé, simplicidade e capacidade administrativa comparáveis aos de Ruy Barbosa, Juscelino Kubitschek, Ulisses Guimarães, Antônio Carlos Magalhães, Íris Rezende Machado e Siqueira Campos? A indagação pode ter ressonância na visão e no conceito da maioria dos brasileiros, especialmente daqueles portadores de títulos de eleitores, que já demonstram profunda descrença, descrédito, desconfiança e desalento em relação a toda a classe política. Para se ter uma ideia, nas eleições de 2022, as abstenções superaram 31 milhões, o que corresponde a 20% dos eleitores com títulos eleitorais ativos. Além disso, foram registrados 1.769.678 votos brancos (1,43%).

Esses ícones da história da política nacional, que tanto fizeram pelo Brasil e que foram responsáveis pela evolução e pelos avanços da política no país, deveriam ser exemplos para a nova safra de políticos. Políticos das gerações passadas (e até das gerações atuais) criaram leis para protegerem o erário público, as licitações, as campanhas eleitorais, as eleições, os abusos de poder econômico e político, o uso da máquina administrativa em campanhas políticas, o exercício legal do mandato e funções públicas, e a transparência dos atos e decisões político/administrativos; além dessas leis, tem um aparato de forças e instituições para guarnecer todas as esferas da vida pública e dos poderes constitucionais (Legislativo, Executivo e Judiciário), como Ministério Público, Tribunais de Contas (união, estados e municípios), Justiça Eleitoral e Polícia Federal, dentre outros.

No entanto, apesar dessas medidas protetivas do erário público e das instituições e entidades do Estado Democrático de Direito, ainda existe um grande número de denúncias contra políticos que burlam ou desrespeitam os mandamentos sagrados do exercício do mandato eletivo e das funções públicas. Enquanto isso, os grandes homens história da política brasileira repousam em seus berços tumulares, tendo seus nomes reverenciados pela história que construíram com austeridade, altivez e dignidade.

Ruy Barbosa – jurista, advogado, político, diplomata, escritor, filólogo, jornalista, tradutor e orador

Conterrâneo de ACM, ele empresta seu nome ao plenário do Senado da República; dentre tantas frases históricas de sua autoria, uma das mais notáveis é: “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.

Juscelino Kubitschek – ex-presidente do Brasil

O gaúcho JK imortalizou-se com muitas histórias, e no meio das histórias muitas frases. Três frases marcantes desse político foram: “É melhor entrar pobre no céu do que rico no inferno”; “Costumo voltar atrás, sim. Não tenho compromisso com o erro”; “Não nasci para ter ódio, nem rancores, nasci para construir”. Sim, ele nasceu para construir… Ele construiu Brasília! E, por causa disto, foi homenageado pela música Pagode em Brasília, composta por Lourival dos Santos e Teddy Vieira, cuja letra destaca: “Quero ver cabra de peito pra fazer outra Brasília”.

Ulisses Guimarães­ – ex-deputado federal e presidente da Assembleia Nacional Constituinte

Ulisses Guimarães trabalhou ao longo de sua vida defendendo que nenhum político pode roubar ou deixar roubar, devendo trabalhar para pôr na cadeia quem roube. Ele dizia: “Eis o primeiro mandamento da moral pública”.

Antônio Carlos Magalhães – ex-governador da Bahia

ACM não foi um líder político que lutava pelas causas dos grandes, mas pelas grandes causas. Entrou para a história do seu estado como um homem que tinha na cabeça uma “usina” que não parava de pensar em coisas para a Bahia e para Salvador.

Íris Rezende Machado – ex-governador de Goiás

Goiás tem duas histórias: uma antes e outra depois do Íris. Ele foi o governador que construiu mil casas num dia, revolucionou a indústria têxtil de Goiás e foi quem levou energia elétrica para todas as propriedades rurais do estado; construiu estradas importantes estradas, o parque Mutirama, rodoviárias em todas as cidades e repaginou o Programa Fomentar, colocando Goiás entre os estados mais industrializados do país.

José Wilson Siqueira Campos – ex-governador do Tocantins

“Nunca mais no Brasil nascerá uma mulher capaz de parir um novo Siqueira Campos” foi uma das frases mais comentadas nos últimos dias. Depois de lutar 25 anos, conseguiu criar o estado do Tocantins; sete meses depois, ele fundou Palmas. Siqueira Campos fez do Tocantins o Estado da Livre Iniciativa e da Justiça Social e de Palmas A Capital Ecológica do Brasil.

Fotos: Divulgação | Arte: Flávio Clark

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