O Ministério da Saúde informou nesta segunda-feira (8/6) a interrupção temporária e preventiva da aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A decisão foi tomada após a notificação de 42 eventos adversos graves registrados em pessoas imunizadas. Entre esses casos, três foram considerados de maior gravidade, incluindo duas mortes que ainda estão sendo investigadas.
A suspensão da vacinação entrará em vigor nesta terça-feira, 9 de junho e permanecerá até que as autoridades sanitárias concluam as análises sobre uma possível ligação entre os eventos relatados e o imunizante.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, não existe, até o momento, comprovação de que as mortes tenham sido causadas pela vacina.
Dados do Ministério da Saúde apontam que aproximadamente 500 mil doses foram aplicadas em todo o território nacional. Durante esse período, foram registrados 42 casos de reações adversas graves com possível associação à imunização.
As investigações estão sendo conduzidas por especialistas do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Butantan.
A vacina, produzida integralmente no Brasil, é a primeira do mundo contra a dengue com esquema de dose única. A campanha de imunização começou neste ano, priorizando profissionais da área da saúde.
Como medida preventiva, o Ministério da Saúde orienta que pessoas vacinadas nos últimos 21 dias procurem uma unidade de saúde para acompanhamento clínico. O objetivo é identificar precocemente possíveis reações e garantir assistência médica adequada caso surjam sintomas após a aplicação do imunizante.
Entre os sinais que merecem atenção estão:
- Febre;
- Dor abdominal intensa e persistente;
- Vômitos frequentes;
- Tontura;
- Sangramentos;
- Sonolência excessiva;
- Irritabilidade;
- Sinais de desidratação;
- Agravamento do estado geral de saúde.
Casos Graves investigados
O primeiro caso envolve uma mulher de 39 anos que, seis dias após receber a vacina, apresentou febre, dores musculares e náuseas. O quadro evoluiu para manifestações compatíveis com dengue grave, incluindo choque, exigindo internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
O segundo caso refere-se a uma mulher de 48 anos que desenvolveu sintomas de dengue grave associados a complicações neurológicas, como meningoencefalite, 19 dias após a vacinação. Ela não resistiu e morreu.
Já o terceiro caso ocorreu com um homem de 58 anos que apresentou febre cinco dias depois de ser imunizado. O paciente evoluiu rapidamente para dengue grave com choque refratário, vindo a óbito.
De acordo com o Ministério da Saúde, embora os três episódios sejam considerados sinais de alerta relevantes, ainda não há evidências suficientes para afirmar que a vacina tenha provocado os desfechos observados.
Investigação das mortes
As duas mortes permanecem sob análise. As equipes técnicas avaliam prontuários, resultados de exames, histórico clínico e outros fatores que possam esclarecer se existe relação causal entre os óbitos e a vacinação contra a dengue.
Com informações do Ministério da Saúde
Foto: divulgação/Getty Images
