A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgaram nesta quinta-feira (8) os dados da Análise Mensal da Pesquisa Nacional de Preços da Cesta Básica de Alimentos referente a dezembro de 2025. O levantamento, realizado de forma conjunta desde agosto do ano passado, mostra variações nos preços dos alimentos essenciais em todo o país.
De acordo com o estudo, o custo da cesta básica subiu em 17 capitais brasileiras na comparação com novembro, recuou em nove e permaneceu inalterado em João Pessoa (PB), onde o valor ficou em R$ 597,66.
As maiores altas mensais foram registradas em Maceió (3,19%), Belo Horizonte (1,58%), Salvador (1,55%), Brasília (1,54%), Teresina (1,39%), Macapá (1,23%), Goiânia (1,19%) e Rio de Janeiro (1,03%). Em sentido oposto, os recuos mais expressivos ocorreram em Porto Velho (-3,60%), Boa Vista (-2,55%), Rio Branco (-1,54%), Manaus (-1,43%) e Curitiba (-1,03%).
São Paulo manteve a liderança como a capital com a cesta básica mais cara do país, com custo médio de R$ 845,95. Em seguida aparecem Florianópolis (R$ 801,29), Rio de Janeiro (R$ 792,06), Cuiabá (R$ 791,29) e Porto Alegre (R$ 784,22). Já os menores valores foram observados principalmente nas regiões Norte e Nordeste, onde a composição dos itens é distinta, com destaque para Aracaju (R$ 539,49), Maceió (R$ 589,69), Porto Velho (R$ 592,01), Recife (R$ 596,10), Natal (R$ 597,15) e João Pessoa (R$ 597,66).
Entre os produtos que contribuíram para a redução dos preços, o arroz agulhinha apresentou queda em 23 das 27 capitais pesquisadas. As maiores diminuições ocorreram em Maceió (-6,65%) e Vitória (-6,63%). Em Cuiabá e Porto Velho, o preço permaneceu estável, enquanto Recife e Manaus registraram aumento. Segundo o levantamento, a retração das exportações e a menor demanda interna ajudaram a pressionar os preços para baixo.
O leite integral também teve redução em grande parte do país, com queda em 22 capitais. Curitiba apresentou a maior variação negativa (-5,61%), enquanto Recife registrou a menor (-0,69%). Em Palmas, Aracaju e Maceió, os valores não sofreram alteração. Houve aumento apenas em Boa Vista e Macapá, influenciado por fatores locais de oferta e demanda.
O açúcar apresentou recuo em 21 capitais, com destaque para Teresina (-5,94%). Em São Luís, os preços ficaram estáveis, enquanto cinco capitais registraram aumento, sendo Macapá a principal, com alta de 1,51%.
Já o café em pó ficou mais barato em 20 capitais, com quedas que variaram de -3,35%, em Palmas, a -0,07%, em Macapá. Em sete cidades houve elevação, sendo Manaus o maior destaque, com alta de 3,97%. O estudo aponta que a redução das exportações, em meio a incertezas no mercado internacional, influenciou o comportamento dos preços.
O óleo de soja também apresentou queda em 17 capitais, impulsionada pela maior oferta global do grão. Belo Horizonte (-6,68%) e São Luís (-5,90%) registraram as reduções mais acentuadas. Em Porto Alegre e Fortaleza, os valores permaneceram estáveis, enquanto Belém teve a maior alta (3,54%).
Em relação ao poder de compra, o Dieese estima que, em dezembro de 2025, o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.106,83, equivalente a 4,68 vezes o piso nacional vigente, de R$ 1.518,00. No mês anterior, esse valor era de R$ 7.067,18. Já em dezembro de 2024, o salário mínimo necessário era estimado em R$ 7.067,68.
O tempo médio de trabalho exigido para a compra da cesta básica nas 27 capitais ficou em 98 horas e 41 minutos em dezembro, ligeiramente acima do registrado em novembro. Em dezembro de 2024, considerando apenas 17 capitais, a média era de 109 horas e 29 minutos.
Após o desconto previdenciário, o trabalhador que recebe salário mínimo comprometeu, em média, 48,49% da renda líquida para adquirir os alimentos básicos em dezembro de 2025. Em novembro, esse percentual era de 48,41%. Um ano antes, a proporção chegava a 53,80%.
A ampliação da pesquisa para todas as capitais brasileiras é resultado da parceria entre Conab e Dieese, que passou a incluir 27 cidades no levantamento. Os dados completos da análise mensal podem ser consultados nos sites oficiais das duas instituições.
Com informações da Companhia Nacional de Abastecimento
Foto: divulgação
