Apesar da expectativa de redução de 1,6% na produção brasileira de milho da safra 2025/26, o suprimento nacional do grão deve aumentar cerca de 7% no próximo ano. A projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta que esse crescimento não será puxado pela colheita futura ou por importações que devem permanecer estáveis, mas sim pelo salto expressivo nos estoques de passagem. O país encerra 2025 com um volume quase 650% maior que o do início do ano, consequência direta da supersafra atual.
O Brasil começou 2025 com menos de 2 milhões de toneladas em estoque, um dos menores patamares já registrados. Esse cenário foi completamente revertido após a colheita de 141 milhões de toneladas, um avanço de 22% sobre 2024 e que estabeleceu um novo recorde nacional. Mesmo com a alta na demanda interna (8%) e nas exportações (4%), o volume final permanece o maior das últimas cinco safras.

Para 2026, a Conab projeta uma leve redução nos estoques abaixo de 4%, mas ainda com nível confortável, superior a 13 milhões de toneladas. O consumo nacional deve crescer aproximadamente 4,5%, ritmo menor que o observado entre 2021 e 2025, quando a expansão média atingiu 6,2%, impulsionada sobretudo pelo avanço das usinas de etanol de milho.
Tocantins vive expansão histórica na produção de milho segunda safra
Enquanto o cenário nacional aponta estabilidade e estoques reforçados, o Tocantins vive um momento de forte avanço produtivo. A Conab confirmou que o estado alcançou um novo recorde na produção de milho safrinha em 2024/25, impulsionado pela ampliação da área plantada e, mais recentemente, pela aprovação do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para o sistema de consórcio milho-braquiária.
A produção da safrinha chegou a 2,25 milhões de toneladas, superando as estimativas iniciais e consolidando o estado como um polo relevante na oferta de grãos no país. O crescimento foi sustentado tanto pela tecnologia adotada pelos produtores quanto pelas condições climáticas favoráveis.
Segundo a Conab, a área plantada saltou de 373 mil para 415 mil hectares. Em algumas regiões, a produtividade atingiu 130 sacas por hectare, resultado associado ao uso de sementes melhoradas, manejo ajustado e fertilização adequada.
A relevância estadual no agronegócio cresce em ritmo acelerado: com uma safra total de 9,67 milhões de toneladas de grãos, o Tocantins mantém a posição de maior produtor da Região Norte e segundo maior do Nordeste. O avanço no milho também abre espaço para novas cadeias, como as usinas de etanol de milho que devem iniciar operações no estado em 2025.
Zarc para consórcio milho-braquiária amplia segurança e incentiva práticas sustentáveis
A aprovação do Zarc para o consórcio milho-braquiária é destacada por especialistas como um passo relevante para modernizar o sistema produtivo no Tocantins. De acordo com o engenheiro agrônomo Thadeu Teixeira Júnior, da Seagro, a validação da prática pelo Ministério da Agricultura reforça um modelo que combina produtividade, conservação de solo e redução de riscos.

O sistema consiste no plantio simultâneo do milho com a braquiária, ou na distribuição da semente da forrageira antes ou durante a adubação de cobertura. A técnica protege o solo contra erosão, melhora a fertilidade, reduz plantas invasoras e amplia a vida biológica do solo. Após a colheita do milho, a braquiária se desenvolve e pode ser usada como pastagem de alta qualidade, integrando lavoura e pecuária em um mesmo ambiente produtivo.
Pesquisas apontam que a presença da braquiária não reduz significativamente o rendimento do milho, o que aumenta a viabilidade econômica do sistema. O reconhecimento pelo Zarc também abre portas a linhas de crédito e seguros agrícolas específicos, ampliando a segurança dos produtores diante de eventos climáticos.
Com informações da Conab
Fotos: divulgação
